Domingo, Fevereiro 08, 2009
Domingo, Janeiro 11, 2009
Prognóstico
A paciente Fernanda Cristo e Santos apresenta sinais de psico independência multi-focal desorientada afetivo retrógrado oscilante. Alterna períodos de timidez, verborragia e humor tal qual cor do cabelo e comprimento da franja. Demonstra episódios criativos intensos, manifestos em apresentações teatrais com traços surreais e abstratos, escrevendo textos hilário-irônico-depressivos ou cantando alguma música trash semi-afinada no volume 10, interpostos por períodos de inércia autista e revolta com a humanidade. Apresenta grande desorientação espacial e pessoal com fortes tendências a andar na contra-mão. Gosta de cachorro e tem alergia. Gosta de dormir e tem insônia. Gosta de companhia, mas cansa. Gosta de música que ninguém mais gosta. Queixa-se de saudades inexplicáveis, medos inconsistentes, timidez incoerente e incompreensão relativa. Relata possessões espirituais maléficas após algumas doses de vodka. Não come feijão e separa todo e qualquer elemento verde da comida. Vira levemente o pescoço para o lado direito enquanto fala, pigarreando, geralmente sem saber o que fazer com as mãos. Tem dias que se acha verde. Noutros, lilás. Por fim se convence que ser simplesmente morena, mulher, brasileira, filha única com oito meio-irmãos e jornalista já pode ser bastante complexo.por Tatiana Monteiro
Sexta-feira, Janeiro 02, 2009
Deixa pra lá...

Ano novo: a mesma velha história. Velhos pequenos problemas. Cabeça doendo, coração batendo por bater. Cada vez menos vontade – de qualquer coisa – e já até ouviu dizer que isso era bom. Cada pensamento uma dor, cada gesto um excesso, cada palavra desnecessária. A mesma velha ladainha. Pra que repetir?
Desculpa! Eis o que sempre é preciso dizer. Mas não muda nada, não faz esquecer. Promessas (quem quer ouvir?). Nunca são compridas, melhor nem falar. Inveja de um caracol. Desejo de se esconder, se encolher, ser esquecido. Existência supérflua. Foi sempre assim. Pra que repetir?
Desculpa! Eis o que sempre é preciso dizer. Mas não muda nada, não faz esquecer. Promessas (quem quer ouvir?). Nunca são compridas, melhor nem falar. Inveja de um caracol. Desejo de se esconder, se encolher, ser esquecido. Existência supérflua. Foi sempre assim. Pra que repetir?
Quinta-feira, Novembro 20, 2008
Surreal
Do livro Joan Miró - A cor dos meus sonhos - Entrevistas com Georges Raillard:

Georges Raillard - Você cortou essas lixas, por assim dizer, num gesto raivoso. E a matéria dessas duas manchas castanhas, espessas, que se repetem simetricamente nas duas folhas, lembra excremento.
Joan Miró - Sim, sim, é merda. Eu estava aqui, me deu vontade de cagar, baixei as calças e, pronto, caguei nas lixas amarelas novinhas. E depois, plaft! apertei o outro papelão em
cima. Deixei assim e deu essa bela matéria. Quem sabe, eu não devesse dizer, pois os marchands... Pra mim, isso não é uma provocação, como aquele italiano que fez latas de conservas e colcou uma etiqueta: Merda de Artista. Não. É uma bela matéria, uma bela matéria. E agora trabalho nas três ao mesmo tempo.
Domingo, Setembro 28, 2008
Confidência montesclarense
Saudade de uma casa cheiaEntre e sai de gente, movimento
Lembrança de boas risadas
Barulho, histórias, brigas
Saudade inexplicável
de almoço de domingo
cachorros pedindo comida
briga pra mudar de canal
vontade de ouvir voz de gente
de ter pra quem cantar
de ter quem incomodar
de atender a campainha
telefone tocando sem parar
panelas em cima da mesa
mesa grande, sala grande
sofá lotado
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